JARDINS SENSORIAIS COMO FERRAMENTAS DE INCLUSÃO SOCIAL E EDUCAÇÃO AMBIENTAL: UMA REVISÃO NARRATIVA
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n2-138Palavras-chave:
Inclusão Social, Agroterapia, Ecologia SocialResumo
Os jardins sensoriais têm sido progressivamente reconhecidos como espaços estratégicos para a promoção da inclusão social e da educação ambiental, especialmente no contexto de pessoas com deficiência. Este estudo teve como objetivo analisar criticamente a literatura científica acerca do uso de jardins sensoriais como ferramentas pedagógicas, terapêuticas e socioambientais, discutindo seus fundamentos teóricos, abordagens metodológicas e impactos relatados no desenvolvimento sensorial, cognitivo, motor e socioafetivo dos participantes. Trata-se de uma revisão narrativa de caráter qualitativo, baseada em publicações nacionais e internacionais indexadas em bases de dados como Scopus, Web of Science, SciELO, ERIC e Google Scholar, abrangendo o período de 2000 a 2025. A análise dos estudos evidencia que os jardins sensoriais favorecem a estimulação multissensorial integrada, a socialização, o fortalecimento da autoestima e a ampliação da autonomia funcional, além de se configurarem como importantes espaços de educação ambiental não formal. A literatura também destaca o potencial da integração entre jardins sensoriais, agroterapia e práticas de expressão artística, ampliando as possibilidades de comunicação, aprendizagem e inclusão. No entanto, observa-se a predominância de estudos descritivos e a escassez de avaliações sistemáticas de médio e longo prazo, especialmente no contexto brasileiro. Conclui-se que os jardins sensoriais constituem dispositivos promissores para práticas inclusivas e educativas, demandando maior aprofundamento metodológico e teórico para consolidar sua aplicação em políticas públicas e instituições educacionais.
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